ferida - FLÁVIO ANDRADE

Go to content
FERIDA
_DSC9633.jpg
_DSC6146.jpg
_DSC8229.jpg
_DSC3022.jpg
_DSC5330.jpg
_DSC5737.jpg
_DSC5310.jpg
_DSC5929.jpg
_DSC8323.jpg
_DSC3080.jpg
_DSC5332.jpg
_DSC9636.jpg
_DSC6180.jpg
_DSC6188.jpg
_DSC6202.jpg
_DSC6209.jpg
_DSC6412.jpg
_DSC6417.jpg
_DSC6428.jpg
_DSC6443.jpg
_DSC9420.jpg
_DSC8241.jpg
_DSC5338.jpg
_DSC3466.jpg
Para Além da Curva da Estrada

Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa
All Rights Reserved | Flávio Andrade 2020
Enviar para trás