books - FLÁVIO ANDRADE - Photography

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NUBES

A única coisa eterna são as nuvens’, diz Mário Quintana no início de Nubes.
As imagens de Flávio Andrade registam porém o que não ficará no céu eternamente, mostrando à frente dos nossos olhos o que sabemos desde a teoria da fotografia de Barthes sobre o punctum instantâneo: o momento que nos toca, o milésimo de segundo que conta e faz a fotografia. O seu esforço é corajoso como será sempre o do fotógrafo de paisagens, o de resgatar para nós um momento por ele registado e que sabemos à partida não será eterno. Não podemos esquecer o seu lado de acaso, o seu lado de cálculo, que nada mais é do que o acaso estudado (ou se quisermos, o studium da mesma teoria barthesiana). Um esforço talvez de iconoclastia que se aparenta ao do Goethe quando decidiu teorizar sobre o fenómeno meteorológico há quase dois séculos.

Nos poemas de Helder Moura Pereira nada parece suceder-se, tal como se de nuvens se tratassem, mas esse é só um golpe de teatro para com o seu leitor. Encenando diálogos entre um eu e um tu poéticos, estes poemas co-existem com as fotografias de Flávio Andrade mas nem sempre lhes respondem necessariamente:

Há nuvens e não há nuvens.
Cai, intensa, a chuva do céu,
e tudo tapa. Sobe, veloz, a água
do mar, e tudo alaga. Falo então
e digo que já me deixaste, embora
estejas. Em voz baixa, mas ouviste.
Para hoje um aviso da cor
do teu sorriso: amarelo.

Triste, melancólico, perturbado, até cego, o poeta habita a escuridão, quem sabe as trevas, num véu que passou com a tempestade. Será este o estado de espírito do poeta? Qualquer que seja a resposta, é de enigma que aqui falamos: nubes registadas por dois artistas em diálogo.


Ricardo Marques
Novembro de 2018



Circle of life
A propósito do livro “Circle of Life”, do Flávio Andrade e para além do que ele próprio escreveu sobre o seu trabalho, apenas acrescento a mais o meu próprio sentir, quando me confronto com estas fotografias, por ele produzidas e editadas neste projecto.
Olhei muitas vezes e “li” com profundíssima atenção, estas imagens escolhidas pelo Flávio, e por isso sinto-me tentado a ver passar pelos meus olhos, outros projectos recentes, quer do século XX como do XXI, imagens do nosso tempo. Imagens dos nossos tempos.
Quero ver por aqui, fotógrafos como o Victor Palla ou o António Júlio Duarte, o Joel Meyerowitz ou o Eugene Richards, o Garry Winougrand ou o Tony Ray Jones, e, e, e... ou, ou, ou…
Porquê estes? Porque não outros?
Porque, as memórias são selectivas e também porque as memórias são traiçoeiras, nada mais.
Não há aqui nenhuma injustiça em relação a outros fotógrafos que também poderia ter convocado, tão ou mais importantes que estes.
São estes no entanto, pela sua heterogeneidade, e também pela sua coerência, suficientes para suportar o meu raciocínio e isso basta-me para justificar o turbilhão das minhas memórias e por isso aqui vão então as minhas justificações.
Nestas fotografias e na sua escolha, ponto para mim tão ou mais importante que o próprio acto de fotografar, o Flávio Andrade incorpora subtilezas que são muito mais que o “momento decisivo”, dito Bressoniano.
Nestas fotografias estão/estarão “a decisão da indecisão do conteúdo”, logo e daí, tanta tensão latente ou tanta tensão evidente.
Escolham o vosso próprio ponto de vista.
Tensão essa, muito Pessoana, pois tal como Álvaro de Campos nos diz, o Flávio também me faz sentir que “o que é, não é o que é, mas o que parece que é”, algo que só a fotografia com a sua ilusão de mostrar a realidade, nos pode permitir, ao subvertê-la - a realidade - e trazer o que vemos, para o campo das memórias e não da verdade ou das verdades.
Insisto para mim e apenas para mim, que não há nada mais difuso do que as memórias do nosso ciclo de vida, do nosso circulo de vida.
E mais não digo, a não ser que este livro, para mim não é um livro.
É uma exposição de bolso, muito intimista…obviamente para quem gosta de fotografia com F muito grande, em oposição ao corriqueiro show-off de imagens aos milhões, que nos inunda o quotidiano e que mais não é que ruído visual…
Flávio, Parabéns por este “Circle of Live”.
Flávio, obrigado por esta partilha que nos permite ver um pouco mais fundo, mais profundo, do que és como pessoa e como Fotógrafo, neste círculo de emoções contidas, tal como tu próprio o dizes.

Lisboa, 11 de Novembro de 2017 - JOSÉ SOUDO - Fotógrafo e docente de Fotografia e História da Fotografia


Solo exhibitions catalogues

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Group exhibitions catalogues


Photographs in other publications

2017
Fotografia da série "Vago" no livro - Leviatã | Espelhos Negros do escritor alemão ArnoShmidt | Editora Abysmo.         
                            

                                                                                                                                                       


Fotografia da série "Circle of life" no livro - Rua Antes Do Céu do poeta José Luiz TAvares | Editora Abysmo.





Photo Book Fairs

2018
9ª edição da Feira do Livro de Fotografia de Lisboa.
Participação  na mesa de Autores com o livro "NUBES".

2017
8ª edição da Feira do Livro de Fotografia de Lisboa.
Participação  na mesa de Autores com os livros "Déjà vu" e "Circle of life".
Participação na mesa de Editores - Editora The Unknown Books com o livro "Vago".

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